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Fábrica Braço de Prata

Um espaço cultural de armas

Esta fábrica cultural e o seu mentor, Nuno Nabais, são verdadeiros exemplos de como a cultura pode ser sustentável e de que vale a pena batalhar contra as adversidades. Este projeto tinha tudo para estar condenado, mas contrariamente, hoje em dia é um dos espaços culturais mais relevantes de Lisboa, um dos que mais promove os artistas portugueses e que … vive sem subsídios.

A interessante história de luta poderá ser lida a seguir, mas deixámos a nossa perceção de que este espaço é de facto uma fábrica, mas de cultura, com salas de exposições, uma livraria, lojas, sala de cinema, sala de teatro, sala de espetáculos, um bar, um restaurante, um terraço (ideal para os dias mais quentes) e ainda uma espécie de bunker, onde antigamente se testavam as armas mas onde atualmente se fazem festas. Aqui há sempre eventos culturais a acontecer, desde concertos de todo o género, incluindo jazz, rock, funk, música do mundo, exposições, sessões de cinema, colóquios, entre muitos outros. Todos os dias a fábrica se enche de cultura e de momentos a não perder!

A história deste espaço tem a sua peculiaridade, pois tudo começou quando Nuno Nabais fechou a sua livraria no Bairro Alto, uma livraria exclusiva de venda em segunda mão, de livros de filosofia.
Depois do fecho da sua livraria, Nuno teve conhecimento da existência de uma antiga fábrica de produção de material de guerra. Na altura, este imóvel pertencia a uma empresa de construção civil, que pretendia reabilitar a zona com o intuito de construir um bairro de luxo, utilizando o espaço da fábrica como stand de vendas. No final da obra, este edifício seria doada à Câmara de Lisboa. Mas, durante este processo, em 2007, a obra foi embargada e a antiga fábrica passou a ficar desabitada. Foi nessa altura que Nuno propôs à empresa usar o edifício enquanto a obra estivesse parada, conseguindo um acordo verbal de comodato, que terminaria quando a obra fosse desembargada.

A obra foi desembargada quando António Costa passou a presidir a Câmara de Lisboa, em 2009. Mas, durante este tempo, a Fábrica Braço de Prata já tinha ganho vida própria como um espaço de renome cultural na cidade e além-fronteiras, tendo por exemplo sido citado no reputado New York Times como um espaço a não perder na cidade. A Câmara de Lisboa acabou por intervir de forma a proteger o projeto ali criado, pelo menos até que o edifício passasse para a Câmara de Lisboa e aí tudo ficaria regularizado.

Entretanto, a empresa de construção proprietária do espaço faliu e a Fábrica que seria da Câmara de Lisboa no final da construção do bairro luxuoso, acabou por ficar para um dos credores, a Caixa Geral de Depósitos, que atualmente pretende vender o edifício.

E foi assim que, até aos dias de hoje, a Fábrica Braço de Prata se manteve o espaço cultural mais cool e ilegal de Lisboa.

Este é um espaço que deve obrigatoriamente visitar por várias razões: porque o trabalho feito pelo Nuno merece ser reconhecido, porque terá acesso a cultura a preços muito simpáticos, porque é uma excelente opção para uma saída à noite mais segura e com estacionamento na zona e porque também aqui pode desfrutar de um bom jantar por um bom preço.

Esta é a Fábrica onde, por excelência, a arma de luta aqui criada é a cultura, e essa será sempre a arma mais nobre.

Horário

Ter: 20:00 a 02:00
Qua - Qui: 18:00 a 02:00
Sex: 18:00 a 04:00
Sáb: 14:00 a 04:00
Encerrado: 24 e 25 Dez